Custeio variável: fórmula, exemplo e por que ele mostra a margem real

Neto Concon13 min de leitura

Custeio variável: balança entre margem de contribuição e custos fixos

Custeio variável é o método de custeio que leva para cada produto só os custos e despesas que variam com o volume, como matéria-prima, embalagem, comissão, frete e impostos sobre a venda. Os custos fixos não são distribuídos entre os produtos: entram inteiros no resultado do mês. O que sobra da receita depois dos gastos variáveis é a margem de contribuição, o número que diz quanto cada produto, cliente ou pedido deixa para pagar a estrutura.

Este guia explica o que é custeio variável, a fórmula, como separar o que é fixo do que é variável (a parte que mais erra na prática) e mostra um exemplo com três produtos em que o rateio aponta um produto como prejuízo e o custeio variável mostra que cortá-lo derruba o lucro da empresa.

O que é custeio variável

O método de custeio variável, também chamado de custeio direto, separa os gastos da empresa pelo comportamento em relação ao volume. A pergunta para cada gasto é uma só: se a empresa vender uma unidade a mais, esse gasto aumenta? Se aumenta, ele é variável e vai para o produto. Se não aumenta, ele é fixo e fica no período.

Entram como variáveis a matéria-prima, a embalagem, a energia das máquinas na parte que acompanha a produção, a comissão de vendas, o frete por pedido e os impostos sobre a venda. Ficam como fixos o aluguel, a depreciação, os salários da supervisão e do escritório, os sistemas e o seguro. A empresa continua pagando todos eles, mas eles não são espalhados entre os produtos por um critério de rateio.

O resultado é uma visão em duas camadas. Na primeira, cada produto mostra quanto contribui. Na segunda, a soma das contribuições paga a estrutura e forma o lucro. É essa separação que permite ver a margem real de cada produto, sem a distorção de um rateio que muda toda vez que o volume muda.

Fórmula do custeio variável

A fórmula do custeio variável é a estrutura de uma DRE em que os gastos variáveis vêm antes dos fixos:

Margem de contribuição = receita − custos variáveis − despesas variáveis

Resultado = margem de contribuição − custos fixos − despesas fixas

Por unidade, a margem de contribuição é o preço menos o custo variável e as despesas variáveis daquela venda. Dividida pelo preço, ela vira o índice de margem de contribuição, que mostra quantos centavos de cada real vendido sobram para a estrutura. Esse índice é a base do ponto de equilíbrio: custos fixos divididos pelo índice dão a receita mínima para não ter prejuízo.

Na prática, a DRE gerencial de quem usa o custeio variável mostra a margem de contribuição logo abaixo da receita líquida, aberta por produto, cliente ou canal, e só depois desconta os custos fixos.

Como separar custos fixos e variáveis

A fórmula é simples. A dificuldade está na classificação, porque muitos gastos não são nem totalmente fixos nem totalmente variáveis. Três casos aparecem em quase toda indústria:

  • Custos semivariáveis. Energia, manutenção e água têm uma parte que existe com a fábrica parada e outra que cresce com a produção. Eles precisam ser divididos nas duas partes.
  • Mão de obra direta. Se a equipe tem salário fixo e não cresce nem diminui com o volume do mês, ela é fixa no curto prazo, mesmo trabalhando diretamente no produto. Só é variável quando a empresa de fato ajusta horas, turnos ou terceiros conforme a produção.
  • Gastos em degraus. Um segundo turno ou uma máquina alugada são fixos dentro de uma faixa de volume e mudam de patamar quando a faixa é ultrapassada. Para decisões dentro da faixa atual, tratam-se como fixos.

Para os semivariáveis, o método mais usado é o dos pontos alto e baixo. Pegue o mês de maior e o de menor produção. Se a conta de energia foi de R$ 38 mil num mês de 9.000 unidades e de R$ 30 mil num mês de 5.000 unidades, a diferença de R$ 8 mil veio das 4.000 unidades a mais: R$ 2 por unidade é a parte variável. O que sobra, R$ 30 mil menos R$ 10 mil, ou R$ 20 mil por mês, é a parte fixa. Vale conferir com um terceiro mês antes de adotar.

Uma regra prática ajuda: na dúvida, classifique pelo horizonte da decisão. Para aceitar um pedido este mês, quase tudo além de material, comissão, frete e imposto é fixo. Para decidir se uma linha de produtos continua no ano que vem, parte do que era fixo passa a ser evitável.

Custeio variável: exemplo com três produtos

Uma indústria fabrica três produtos. Os custos fixos da fábrica somam R$ 180 mil por mês e são rateados por hora-máquina, a R$ 15 por hora. As despesas fixas de escritório e vendas somam R$ 60 mil.

Produto Preço Custo variável por unidade Unidades por mês Horas-máquina por unidade
A R$ 50 R$ 30 6.000 0,5
B R$ 80 R$ 44 3.000 1,0
C R$ 40 R$ 30 4.000 1,5

Pelo rateio, cada produto recebe a parte dos custos fixos da fábrica correspondente às horas que usa. O produto C usa 6.000 das 12.000 horas do mês e recebe R$ 90 mil:

R$ mil por mês A B C Total
Receita 300 240 160 700
Custos e despesas variáveis (180) (132) (120) (432)
Margem de contribuição 120 108 40 268
Rateio dos fixos da fábrica (45) (45) (90) (180)
Resultado pelo rateio 75 63 (50) 88
Despesas fixas (60)
Lucro da empresa 28

Olhando a linha do rateio, o produto C dá prejuízo de R$ 50 mil por mês, e a conclusão parece óbvia: tirar o C da linha. Pelo custeio variável, a leitura é outra. O C tem margem de contribuição de R$ 40 mil: ele paga todos os seus gastos variáveis e ainda deixa R$ 40 mil para a estrutura.

Se a empresa cortar o C, os R$ 180 mil da fábrica e os R$ 60 mil do escritório continuam lá. A margem de contribuição cai para R$ 228 mil e o resultado vai de um lucro de R$ 28 mil para um prejuízo de R$ 12 mil. O rateio não mentiu sobre as horas que o C usa. Ele só não diz o que acontece quando o produto sai.

O custeio variável também mostra o que o rateio esconde do outro lado. O C tem a menor margem por unidade e usa muita máquina: rende R$ 6,67 de margem de contribuição por hora, contra R$ 40 do A e R$ 36 do B. Se a fábrica estiver no limite de capacidade e houver demanda para mais A ou B, faz sentido trocar horas do C por horas dos outros. A decisão certa é sobre o uso da capacidade, não sobre o prejuízo que o rateio aponta. Essa conta por recurso escasso está em margem de contribuição unitária e total.

As decisões que o custeio variável responde

  • Aceitar ou recusar um pedido. Com capacidade sobrando, um pedido que tem margem de contribuição positiva aumenta o lucro, mesmo abaixo do custo rateado.
  • Até onde dar desconto. O desconto sai inteiro da margem de contribuição. Saber a margem do pedido mostra o limite antes de o vendedor oferecer.
  • Qual produto empurrar. A força de vendas deve puxar o produto com mais margem de contribuição, não o de maior preço nem o de maior faturamento.
  • Cortar ou manter uma linha. Uma linha só deve sair se a margem de contribuição dela for menor do que os custos fixos que desaparecem junto com ela.
  • Preço mínimo de curto prazo. Abaixo do custo variável, cada unidade vendida aumenta o prejuízo. Esse é o piso absoluto, e o preço de tabela fica bem acima dele.

Vantagens e limitações

Vantagens Limitações
Não depende de rateio, então a margem de um produto não muda quando outro vende mais Não é aceito no balanço nem no imposto de renda: a contabilidade continua usando o custeio por absorção
O lucro acompanha a venda, e não a produção, então estoque crescendo não infla o resultado Exige separar fixo de variável com cuidado, e os semivariáveis dão trabalho
Responde direto às decisões de preço, desconto, mix e pedido Usado sozinho, pode levar a vender tudo pela margem de contribuição e esquecer que a soma precisa pagar a estrutura
É a base do ponto de equilíbrio e da margem de segurança No longo prazo quase todo custo fixo vira evitável, e o método precisa ser complementado

A limitação do longo prazo é onde entra o custeio ABC: quando a empresa tem muitos produtos com processos diferentes, ele mostra quais atividades cada produto consome e ajuda a decidir sobre linhas inteiras, coisa que a margem de contribuição sozinha não faz.

Custeio variável e custeio por absorção

Toda indústria tem os dois. O custeio por absorção, exigido pela contabilidade, leva os custos fixos da fábrica para o produto e para o estoque. O custeio variável deixa os fixos no período. Por isso os dois podem mostrar lucros diferentes no mesmo mês, quando a produção é maior ou menor do que a venda. A comparação completa, com o exemplo do estoque e do pedido extra, está em custeio por absorção x custeio variável.

Quando a planilha deixa de dar conta

Na maioria das indústrias médias, o custeio variável mora numa planilha montada por alguém do financeiro para responder uma pergunta da diretoria. A classificação de fixo e variável foi feita uma vez, o custo da matéria-prima é o do mês em que a planilha nasceu e as despesas de venda são uma média. Quando a pergunta é sobre um produto como o C do exemplo, a resposta depende de quem abriu a planilha e de quando ela foi atualizada.

O que a diretoria quer é decidir mix e corte de produto sem medo de cortar o que paga a fábrica. Isso acontece quando a margem de contribuição de cada produto e de cada pedido é calculada com o custo atual, vindo das notas de compra e da produção, e a classificação de fixo e variável fica registrada como regra, não na cabeça de quem montou a planilha. A passagem da planilha para um painel em que a diretoria confia está em da planilha ao dashboard.

Por onde seguir

O custeio variável chega à margem de contribuição, e a conta por unidade, por hora de máquina e no total está em margem de contribuição unitária e total. Para saber quanto vender para pagar os custos fixos, o ponto de equilíbrio. Para a comparação com o método contábil, custeio por absorção x variável, e para custos indiretos de muitos produtos, o custeio ABC e o custo padrão. Para transformar a margem em preço, a formação de preço de venda e o markup. E para ver quais produtos e clientes pagam a empresa, a curva ABC feita pela margem.

Perguntas frequentes

O que é custeio variável?

É o método de custeio que leva para o produto só os custos e despesas que variam com o volume, como matéria-prima, embalagem, comissão, frete e impostos sobre a venda. Os custos fixos não são rateados entre os produtos: entram inteiros no resultado do período. O resultado de cada produto é a margem de contribuição, usada para decidir preço, mix, desconto e pedidos.

Qual é a fórmula do custeio variável?

A margem de contribuição é a receita menos os custos variáveis e as despesas variáveis. O resultado do período é a margem de contribuição menos os custos fixos e as despesas fixas. Por unidade, a margem de contribuição é o preço menos o custo variável e as despesas variáveis daquela venda. Dividida pelo preço, ela vira o índice de margem de contribuição.

Custeio variável e custeio direto são a mesma coisa?

Na prática, sim. Os dois nomes são usados para o método que leva ao produto só os gastos variáveis e trata os fixos como despesa do período. Alguns autores chamam de custeio direto quando incluem apenas custos diretos variáveis, mas no uso das empresas e da maioria dos livros os termos são equivalentes.

Como separar custos fixos e variáveis?

Pergunte, para cada gasto, se ele aumenta quando a empresa vende uma unidade a mais. Se aumenta, é variável. Se não, é fixo. Os gastos que têm as duas partes, como energia e manutenção, são semivariáveis e precisam ser divididos, por exemplo pelo método dos pontos alto e baixo, que compara o mês de maior e o de menor produção.

Mão de obra direta é custo fixo ou variável?

Depende de como a empresa paga. Se a equipe tem salário fixo e não muda com o volume do mês, a mão de obra é fixa no curto prazo, mesmo trabalhando diretamente no produto. Ela só é variável quando a empresa ajusta horas, turnos, terceiros ou pagamento por produção conforme o volume. Classificar errado distorce a margem de contribuição.

Por que o custeio variável não é aceito pelo fisco?

Porque ele deixa os custos fixos de produção fora do valor do estoque. As normas contábeis brasileiras e a legislação do imposto de renda exigem que o estoque inclua os custos de produção fixos e variáveis, o que só o custeio por absorção faz. Por isso a empresa usa a absorção no balanço e pode usar o custeio variável na gestão.

Quais as vantagens do custeio variável?

Ele não depende de rateio, então a margem de um produto não muda quando outro vende mais. O lucro acompanha as vendas, e não a produção, o que impede que estoque crescendo infle o resultado. E responde diretamente às decisões de preço, desconto, mix, pedido extra e corte de produto, além de ser a base do ponto de equilíbrio.

Quais as desvantagens do custeio variável?

Não é aceito no balanço nem no imposto de renda. Exige uma separação cuidadosa entre fixo e variável, e os custos semivariáveis dão trabalho. Usado sozinho, pode levar a vender tudo pela margem de contribuição e esquecer que a soma das margens precisa pagar a estrutura. E no longo prazo, quando quase todo custo vira evitável, precisa ser complementado por métodos como o custeio ABC.

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