Escolher uma empresa de desenvolvimento de aplicativos é uma decisão difícil de desfazer. Diferente de contratar um serviço qualquer, aqui o fornecedor sai com conhecimento sobre o seu produto, e frequentemente com o código, as contas das lojas e os acessos que fazem o aplicativo existir.

Este guia trata do que realmente separa uma boa escolha de uma cara: a decisão técnica que define o orçamento, os sete critérios que importam, o que precisa estar no contrato e onde esses projetos costumam dar errado.

O que essas empresas entregam

Uma empresa de desenvolvimento de aplicativos cobre, em geral, cinco frentes:

  • Definição de escopo. Transformar a ideia em uma lista do que será construído, em que ordem e o que fica de fora da primeira versão.
  • Design de interface e experiência. Telas, fluxos e a navegação que o usuário vai percorrer.
  • Desenvolvimento. A construção em si, incluindo o servidor que sustenta o aplicativo, que costuma ser metade do trabalho e quase nunca aparece na conversa inicial.
  • Publicação nas lojas. Preparar, submeter e responder às exigências de revisão da App Store e da Google Play.
  • Manutenção. Correções, atualizações obrigatórias de sistema operacional e evolução do produto depois do lançamento.

O que elas não entregam, e vale dizer com clareza: não garantem que o aplicativo terá usuários. Distribuição, aquisição e retenção são problemas de produto e de marketing, não de desenvolvimento. Aplicativo bem construído e sem demanda é dinheiro gasto com competência.

Nativo, multiplataforma ou web: a decisão que muda o orçamento

Essa escolha define custo, prazo e limitações, e precisa ser feita antes de pedir proposta, porque orçamentos de abordagens diferentes não são comparáveis.

Abordagem Como funciona Quando faz sentido
Nativo Um aplicativo para iOS e outro para Android, em linguagens próprias de cada Uso intenso de recursos do aparelho, exigência alta de desempenho, produto que é o negócio
Multiplataforma Um código que gera os dois aplicativos A maioria dos casos: reduz custo e prazo com perda pequena de desempenho
Aplicativo web Um site que se comporta como aplicativo, sem passar pelas lojas Uso ocasional, público que não instalaria nada, necessidade de lançar rápido

A pergunta que orienta a decisão não é técnica: o usuário vai abrir isso todo dia ou uma vez por mês? Uso diário justifica aplicativo instalado; uso esporádico raramente sobrevive à barreira de instalar. As diferenças entre os tipos estão detalhadas em software aplicativo: o que é, tipos e exemplos, e o caminho completo em como criar um aplicativo.

Um ponto que costuma ser decidido tarde demais: aplicativo de loja não é a única saída. Muitas necessidades apresentadas como “precisamos de um app” são resolvidas melhor por um site responsivo, por um fluxo dentro do WhatsApp ou por um painel web. Aplicativo instalado tem custo de aquisição alto, porque exige que a pessoa baixe, e faz sentido quando há uso recorrente ou necessidade de recurso do aparelho, como câmera, localização em segundo plano ou funcionamento sem conexão.

Quanto custa e o que faz o preço variar

Faixas variam muito, mas a estrutura do custo é previsível. Quatro fatores respondem pela maior parte da diferença entre um orçamento e outro:

  • Quantidade de telas e fluxos. O número de coisas que o usuário consegue fazer, e não o tamanho aparente do aplicativo.
  • O que existe atrás. Um aplicativo que só consome um serviço pronto custa uma fração de outro que exige construir servidor, banco de dados, painel administrativo e integrações.
  • Integrações. Pagamento, sistema de gestão da empresa, autenticação corporativa. Cada uma é um projeto pequeno dentro do projeto.
  • Nível de acabamento. Design sob medida, animações e testes em muitos aparelhos custam mais que uma interface baseada em componentes padrão.

Além do desenvolvimento, existem custos recorrentes que costumam surpreender: a conta de desenvolvedor da Apple é cobrada anualmente e a do Google tem taxa de cadastro única, a infraestrutura de servidor é mensal, e as lojas retêm comissão sobre compras feitas dentro do aplicativo. A conta detalhada de um projeto digital está em quanto custa desenvolver um produto digital.

Sete critérios para escolher

  1. Portfólio com aplicativos no ar. Não capturas de tela: os aplicativos publicados, que você possa baixar e usar. Peça links das lojas e avalie avaliações e data da última atualização.
  2. Quem executa, nomeado. Perfil e senioridade de quem vai trabalhar no projeto, e quanto tempo cada um dedica. Vendedor sênior com execução júnior é o padrão que mais decepciona.
  3. Como o escopo é tratado. Pergunte o que acontece quando você pedir algo fora do combinado. A resposta revela mais sobre o relacionamento futuro que qualquer apresentação.
  4. Experiência no seu setor ou em problema parecido. Não é obrigatória, mas reduz o tempo gasto explicando o óbvio e o risco de decisões erradas por desconhecimento do contexto.
  5. Processo de comunicação. Frequência das entregas, onde você acompanha o andamento e quem é seu ponto de contato. Projeto de app sem ritmo de entrega vira caixa-preta de três meses.
  6. O que acontece depois do lançamento. Contrato de manutenção, prazo de garantia sobre defeitos e valor da hora para evoluções. Ausência disso é o sinal mais claro de proposta incompleta.
  7. Disposição de dizer não. Um fornecedor que concorda com tudo na primeira reunião está vendendo, não avaliando. Quem tem experiência aponta o que não vale a pena construir agora.

Critérios equivalentes para contratação de software em geral estão em empresa de programação: 7 critérios para contratar e software house: o que é e por que contratar.

Vale checar um oitavo ponto que não é critério de qualidade, e sim de risco: o tamanho do fornecedor em relação ao seu projeto. Ser o menor cliente de uma empresa grande costuma significar prioridade baixa quando algo urgente aparece. Ser o maior cliente de uma empresa muito pequena significa dependência mútua, e um problema de saúde ou uma saída inesperada pode parar o projeto. O ponto de equilíbrio é ser um cliente relevante o bastante para ter atenção e não crítico a ponto de ser o único.

O que exigir no contrato

Esta seção é a que evita o prejuízo maior, porque trata do que acontece se a relação terminar.

  • Propriedade do código. Deve estar escrito que o código é seu, e o repositório deve estar em uma conta da sua empresa desde o primeiro dia, com o fornecedor como colaborador. Não o contrário.
  • As contas das lojas em nome da sua empresa. Este é o erro mais caro e mais comum. Aplicativo publicado na conta de desenvolvedor da agência significa que o aplicativo é dela: trocar de fornecedor pode exigir republicar do zero, perdendo avaliações, histórico e usuários instalados.
  • Acessos de infraestrutura. Servidor, banco de dados, domínio e serviços de terceiros no nome da empresa contratante.
  • Dados. Onde ficam, como são exportados e o que acontece com eles no encerramento, com a cláusula de LGPD definindo os papéis de controlador e operador.
  • Documentação mínima. Como o ambiente é montado e publicado. Sem isso, o próximo time gasta semanas apenas para conseguir rodar o projeto.
  • Garantia sobre defeitos. Prazo em que correções de erro não são cobradas à parte, com definição do que conta como erro e do que conta como pedido novo.

Onde os projetos de aplicativo dão errado

Vale corrigir uma ideia que circula em textos comerciais sobre o tema: não é verdade que empresas especializadas garantam prazos e entreguem software livre de erros. Estouro de prazo é o risco mais comum do setor, e todo software tem defeito. O que uma boa empresa oferece é previsibilidade e um processo para lidar com o que der errado, não a promessa de que nada dará.

Os três motivos mais frequentes de fracasso:

  • Escopo definido por acumulação. A lista cresce durante o projeto porque nada foi cortado no início. Prazo e orçamento vão junto.
  • Lançar completo em vez de lançar cedo. Meses construindo tudo antes de qualquer usuário tocar no produto, para descobrir depois que metade não era necessária. O antídoto está em como definir o escopo do primeiro produto digital.
  • Nenhum orçamento para depois. O aplicativo lança, o contrato termina e não há verba para corrigir, evoluir ou atualizar. Sistemas operacionais mudam duas vezes por ano, e aplicativo sem manutenção quebra sozinho.

Como comparar propostas

Propostas de fornecedores diferentes raramente são comparáveis, e a diferença de preço quase sempre esconde diferença de escopo. Para comparar de verdade:

  • Envie o mesmo documento para todos. Mesmo que seja simples: o problema, quem usa, o que precisa fazer e o que fica para depois.
  • Peça o preço separado por etapa. Descoberta, design, desenvolvimento, publicação e manutenção. Proposta em valor único impede enxergar onde está a diferença.
  • Compare o total de três anos. Desenvolvimento mais manutenção mais infraestrutura. A proposta mais barata na construção costuma ser a mais cara nesse horizonte.
  • Desconfie da proposta muito abaixo das outras. Ou o escopo entendido foi menor, ou o custo virá depois como pedido fora do combinado.

Se a decisão ainda estiver entre construir aplicativo ou resolver de outro jeito, o corte anterior a essa escolha está em desenvolvimento de software: as etapas do processo.

A Northern desenvolve aplicativos e produtos digitais sob medida. Se quiser discutir um projeto, fale com a gente.

Perguntas frequentes

O que uma empresa de desenvolvimento de aplicativos entrega?

Cinco frentes: definição de escopo, transformando a ideia em uma lista do que será construído e do que fica de fora; design de interface e experiência; desenvolvimento, incluindo o servidor que sustenta o aplicativo, que costuma ser metade do trabalho e quase nunca aparece na conversa inicial; publicação nas lojas, com as exigências de revisão da App Store e da Google Play; e manutenção depois do lançamento. O que ela não entrega é garantia de que o aplicativo terá usuários.

Nativo, multiplataforma ou aplicativo web: qual escolher?

Nativo, com um aplicativo para iOS e outro para Android, faz sentido em uso intenso de recursos do aparelho ou quando o produto é o próprio negócio. Multiplataforma, com um código gerando os dois, atende a maioria dos casos, reduzindo custo e prazo com perda pequena de desempenho. Aplicativo web, que não passa pelas lojas, serve para uso ocasional e lançamento rápido. A pergunta que orienta não é técnica: o usuário vai abrir isso todo dia ou uma vez por mês?

O que faz o preço de um aplicativo variar tanto?

Quatro fatores: a quantidade de telas e fluxos, ou seja, o que o usuário consegue fazer; o que existe atrás, já que um aplicativo que apenas consome um serviço pronto custa uma fração de outro que exige servidor, banco, painel e integrações; as integrações, cada uma um projeto pequeno dentro do projeto; e o nível de acabamento, com design sob medida e testes em muitos aparelhos custando mais.

Quais custos recorrentes existem depois do lançamento?

A conta de desenvolvedor da Apple é cobrada anualmente e a do Google tem taxa de cadastro única; a infraestrutura de servidor é mensal; e as lojas retêm comissão sobre compras feitas dentro do aplicativo. Some a manutenção: sistemas operacionais mudam duas vezes por ano, e aplicativo sem manutenção quebra sozinho.

Quais critérios usar para escolher a empresa?

Sete: portfólio com aplicativos publicados que você possa baixar e usar, não capturas de tela; quem executa, nomeado, com senioridade e tempo dedicado; como o escopo é tratado quando você pedir algo fora do combinado; experiência no seu setor ou em problema parecido; processo de comunicação, com frequência de entregas e ponto de contato; o que acontece depois do lançamento, com garantia e valor da hora; e disposição de dizer não, porque quem concorda com tudo está vendendo, não avaliando.

Quem deve ficar com a conta da App Store e da Google Play?

Sua empresa, sempre. Este é o erro mais caro e mais comum: aplicativo publicado na conta de desenvolvedor da agência significa que o aplicativo é dela. Trocar de fornecedor pode exigir republicar do zero, perdendo avaliações, histórico e usuários instalados. O mesmo vale para repositório de código, servidor, domínio e serviços de terceiros, todos em contas da empresa contratante desde o primeiro dia, com o fornecedor como colaborador.

O que exigir no contrato de desenvolvimento de aplicativo?

Propriedade do código por escrito, com repositório em conta da sua empresa. Contas das lojas em nome da contratante. Acessos de infraestrutura no seu nome. Tratamento dos dados, com cláusula de LGPD definindo controlador e operador. Documentação mínima de como o ambiente é montado e publicado, sem a qual o próximo time gasta semanas só para rodar o projeto. E garantia sobre defeitos, com prazo e definição do que conta como erro e do que conta como pedido novo.

Empresas especializadas garantem prazo e software sem erros?

Não, e essa promessa circula em textos comerciais sobre o tema sem ser verdadeira. Estouro de prazo é o risco mais comum do setor e todo software tem defeito. O que uma boa empresa oferece é previsibilidade e um processo para lidar com o que der errado, não a garantia de que nada dará.

Por que projetos de aplicativo dão errado?

Por três motivos principais. Escopo definido por acumulação, com a lista crescendo durante o projeto porque nada foi cortado no início. Lançar completo em vez de lançar cedo, gastando meses antes de qualquer usuário tocar no produto para descobrir depois que metade não era necessária. E não reservar orçamento para o pós-lançamento, deixando o aplicativo sem verba para correções e atualizações obrigatórias.

Como comparar propostas de empresas diferentes?

Envie o mesmo documento para todos, ainda que simples: o problema, quem usa, o que precisa fazer e o que fica para depois. Peça o preço separado por etapa, já que valor único impede enxergar onde está a diferença. Compare o total de três anos, somando desenvolvimento, manutenção e infraestrutura, porque a proposta mais barata na construção costuma ser a mais cara nesse horizonte. E desconfie da proposta muito abaixo das outras: ou o escopo entendido foi menor, ou o custo virá depois.