Fábrica de software é a empresa que fornece capacidade de desenvolvimento: você diz o que precisa ser construído, ela constrói. A palavra que define o modelo é “capacidade”: o que se compra é gente qualificada trabalhando na sua especificação, e não a responsabilidade por o resultado resolver o problema.

Este texto mostra o que ela é e o que não é, os modelos de contratação, quando ela é a escolha certa, os sete critérios que predizem entrega e o que exigir no contrato.

O que é, e o que não é

Fábrica de software Software house Autônomo
O que entrega execução da especificação o problema resolvido execução, com uma pessoa
Quem especifica você, ou alguém que você contrate ela, junto com você você
Como cobra por hora ou por pessoa alocada por projeto ou escopo por hora ou entrega
Continuidade substitui quem sai responde pelo time depende de uma pessoa
Melhor quando você sabe o que quer e falta mão o problema precisa ser traduzido escopo pequeno e fechado

A confusão entre as duas primeiras colunas é a mais cara do mercado. Contratar fábrica sem ter quem escreva a especificação entrega um sistema exatamente conforme o pedido e inútil na prática, porque ninguém do lado de fora tinha a obrigação de perguntar se o pedido fazia sentido. Os perfis completos de fornecedor estão em empresas de tecnologia da informação, e o modelo vizinho em software house.

Os modelos de contratação

  • Por hora. Você paga o tempo trabalhado. Flexível para demanda variável, e exige controle de escopo do seu lado, porque quem executa não é pago por terminar rápido.
  • Por pessoa alocada, com valor mensal por profissional dedicado. Previsível, e o risco é pagar ociosidade quando a fila de trabalho seca.
  • Por time completo, com um grupo montado para o seu projeto, às vezes com quem coordena incluído. Reduz a necessidade de gestão sua, e custa mais.
  • Por escopo fechado, que existe em algumas fábricas e as aproxima do modelo de software house, com preço maior porque alguém assume o risco do prazo.

O modelo muda quem carrega o risco, e por isso muda o preço. Os quatro formatos aplicados a serviço de software estão detalhados em terceirização de TI.

Quando é a escolha certa

Faz sentido quando existe alguém do seu lado que especifica e prioriza toda semana; quando a demanda é grande e contínua o suficiente para justificar dedicação; quando você precisa crescer capacidade rápido sem contratar; e quando a tecnologia é comum, com profissional disponível no mercado.

Não faz sentido quando ninguém na empresa tem tempo para decidir o que construir, caso em que a fábrica fica esperando definição e você paga por isso; quando o escopo é pequeno e fechado, que um autônomo resolve mais barato; e quando o problema ainda não está entendido, situação em que o trabalho é de diagnóstico e não de execução, com o recorte em escopo de projeto.

Os sete critérios

Comparar tecnologia dominada é o critério errado: praticamente toda fábrica lista as mesmas. O que prediz entrega é outro conjunto:

  1. Quem vai trabalhar no seu projeto, pelo nome. Peça para conversar com essas pessoas antes de assinar, e não com quem vende.
  2. Como funciona a substituição. Alguém vai sair durante o projeto: pergunte o prazo de reposição e quem paga a curva de aprendizado.
  3. O que acontece quando a especificação está errada. A resposta boa é que eles avisam e propõem; a ruim é que executam como pedido.
  4. Como o trabalho é revisado internamente. Revisão de código por outra pessoa é o controle mais barato que existe, e o primeiro a ser cortado.
  5. O que entra como teste, e se o teste automatizado está no preço ou é item à parte.
  6. Quem responde pelo ambiente e pela publicação, porque projeto entregue e não publicado não resolve nada.
  7. Duas referências de projeto parecido e concluído, que você possa ligar. Não o cliente-vitrine: um de tamanho e problema semelhantes.

Um oitavo critério que vale quando existe dúvida entre duas propostas: peça a cada uma para apontar o maior risco do seu projeto. Quem descreve um risco concreto do seu contexto entendeu o problema.

O que exigir no contrato

  • Propriedade do código, do dado e dos acessos no nome da sua empresa, com o fornecedor como convidado. Domínio, nuvem e repositório desde o primeiro dia.
  • Sigilo, incluindo o que a equipe alocada vê do seu negócio.
  • Prazo de aviso e transferência, com documentação e passagem de conhecimento na saída.
  • Regra de substituição de profissional, com prazo e sem custo de curva para você.
  • Reaproveitamento declarado: componente genérico é razoável, a sua regra de negócio não.
  • Como o escopo muda, com item novo entrando com preço e prazo ditos na hora do pedido.

Os erros que custam

  • Contratar fábrica sem ter quem especifique, que é o erro número um e o mais caro.
  • Escolher por menor valor-hora. Hora barata com autonomia baixa custa o próprio valor mais o tempo de quem acompanha.
  • Não reservar alguém do seu lado para decidir prioridade toda semana. Sem isso, a fábrica constrói o que foi pedido no começo, e não o que é necessário agora.
  • Medir por horas entregues, em vez de por funcionalidade em uso.
  • Deixar teste e revisão fora do preço para fechar mais barato, e pagar o dobro em correção depois.
  • Aceitar time júnior sem alguém sênior responsável, o que aparece como retrabalho no terceiro mês.

O critério final é simples: fábrica de software resolve falta de capacidade, não falta de clareza. Se o que falta é clareza, o dinheiro rende mais em diagnóstico e recorte antes de contratar hora nenhuma. A conta do projeto está em quanto custa um site, um app ou um sistema, o processo de trabalho saudável em desenvolvimento de software, e a alternativa de montar time próprio em como contratar desenvolvedores web.

Perguntas frequentes

O que é uma fábrica de software?

É a empresa que fornece capacidade de desenvolvimento: você diz o que precisa ser construído e ela constrói. A palavra que define o modelo é capacidade, porque o que se compra é gente qualificada trabalhando na sua especificação, e não a responsabilidade por o resultado resolver o problema. Por isso ela cobra por hora ou por pessoa alocada, e não por projeto.

Qual a diferença entre fábrica de software e software house?

A fábrica executa a especificação; a software house entrega o problema resolvido, participando do requisito e propondo caminho. Na fábrica, quem especifica é você ou alguém que você contrate; na software house, ela faz isso junto com você. Contratar fábrica sem ter quem escreva a especificação entrega um sistema exatamente conforme o pedido e inútil na prática.

Quais são os modelos de contratação de uma fábrica?

Por hora, flexível para demanda variável e exigindo controle de escopo do seu lado. Por pessoa alocada, com valor mensal por profissional dedicado, previsível e com risco de pagar ociosidade. Por time completo, montado para o seu projeto, que reduz a sua necessidade de gestão e custa mais. E por escopo fechado, que aproxima a fábrica do modelo de software house, com preço maior.

Quando contratar uma fábrica de software?

Quando existe alguém do seu lado que especifica e prioriza toda semana; quando a demanda é grande e contínua o suficiente para justificar dedicação; quando você precisa crescer capacidade rápido sem contratar; e quando a tecnologia é comum, com profissional disponível no mercado. Fora dessas condições, o modelo tende a custar mais do que entrega.

Quando a fábrica de software é a escolha errada?

Quando ninguém na empresa tem tempo para decidir o que construir, caso em que a fábrica fica esperando definição e você paga por isso. Quando o escopo é pequeno e fechado, que um autônomo resolve mais barato. E quando o problema ainda não está entendido, situação em que o trabalho é de diagnóstico e recorte, e não de execução.

Como avaliar uma fábrica de software?

Por sete critérios, e nenhum deles é a lista de tecnologias: quem vai trabalhar no projeto, pelo nome; como funciona a substituição de profissional; o que acontece quando a especificação está errada, porque a resposta boa é que avisam e propõem; como o trabalho é revisado internamente; o que entra como teste; quem responde pelo ambiente e pela publicação; e duas referências de projeto parecido e concluído.

O que exigir no contrato com uma fábrica?

Propriedade do código, do dado e dos acessos no nome da sua empresa, com domínio, nuvem e repositório desde o primeiro dia. Sigilo sobre o que a equipe vê do negócio. Prazo de aviso e transferência com documentação na saída. Regra de substituição de profissional, com prazo e sem custo de curva para você. Reaproveitamento declarado. E como o escopo muda, com preço e prazo ditos na hora.

Vale escolher pelo menor valor-hora?

Não. Hora barata com autonomia baixa custa o próprio valor mais o tempo de quem acompanha, e o total costuma superar a hora mais cara de quem trabalha sozinho. A comparação justa é custo por funcionalidade em uso, e não valor-hora. Time júnior sem alguém sênior responsável é a versão mais comum desse erro, e ele aparece como retrabalho no terceiro mês.

Preciso de alguém interno para trabalhar com uma fábrica?

Sim, e é o requisito que mais determina o resultado. Alguém precisa especificar, priorizar toda semana e responder dúvidas em horas, não em dias. Sem essa pessoa, a fábrica constrói o que foi pedido no começo e não o que passou a ser necessário, e o projeto entrega exatamente o combinado sem resolver o problema.

Fábrica de software é a mesma coisa que terceirização de TI?

Fábrica de software é uma das formas de terceirizar: a que fornece capacidade de desenvolvimento. Terceirização de TI é o termo mais amplo, que inclui também suporte e infraestrutura, consultoria e serviço gerenciado. Confundir os dois faz empresa contratar desenvolvimento esperando que alguém cuide da rede, ou o contrário.