KPI: o que significa, definição e exemplos

Neto Concon13 min de leitura

Dois gráficos de barras lado a lado: o faturamento por canal mostra o marketplace crescendo mais, e a margem por canal, em destaque, mostra o mesmo marketplace quase sem margem

KPI significa Key Performance Indicator, em português indicador-chave de desempenho: o número que mostra se a empresa está chegando a um objetivo e que, quando muda, provoca uma decisão. A diferença para uma métrica comum está na palavra “chave”: métrica é tudo o que dá para contar; KPI é o punhado de métricas ligadas a um objetivo e a uma ação.

Este texto traz a definição completa, exemplos de KPI por área da empresa com fórmula e a decisão que cada um apoia, os quatro testes de um bom indicador, os KPIs que não servem, quantos usar em cada camada e como definir os seus.

KPI: definição

Indicador-chave de desempenho é um número que mede o progresso em direção a um objetivo e que, quando muda, provoca uma ação. Três partes precisam existir para algo merecer o nome:

  • Um objetivo por trás. Número sem objetivo é observação. “Receita” é métrica; “receita recorrente crescendo 5% ao mês” é indicador de um objetivo.
  • Uma fórmula escrita e um dono. Sem definição acordada, a reunião discute o número em vez de decidir com ele.
  • Uma ação associada. Se ninguém faz nada diferente quando ele piora, ele não é chave: é curiosidade ocupando espaço no painel.

KPI e métrica

Métrica KPI
O que é qualquer coisa que dá para contar a métrica ligada a um objetivo e a uma decisão
Quantas existem centenas poucas, por nível
Serve para diagnosticar quando algo piora decidir se algo precisa mudar
Exemplo visitas no site custo por lead qualificado

A confusão entre as duas colunas explica o painel de trinta gráficos que ninguém abre. Métrica é insumo de investigação e deve estar disponível; KPI é o que se olha toda semana. Onde essa separação não existe, o excesso engole a atenção, e a empresa volta a decidir por intuição com um painel bonito ao lado.

Exemplos de KPI por área

Cada área tem os seus, e o que transforma uma métrica em KPI é a decisão que ela apoia. A tabela traz exemplos comuns em empresas de médio porte, com a fórmula e a decisão. A meta de cada um depende do setor e do histórico da própria empresa, por isso não há números de referência aqui.

Área KPI Fórmula Decisão que apoia
Financeiro Margem de contribuição (receita líquida menos custos e despesas variáveis) ÷ receita líquida que produto, cliente ou canal vale a pena empurrar, e qual preço revisar
Financeiro Prazo médio de recebimento contas a receber ÷ receita a prazo do período × dias do período política de crédito e prazo, e necessidade de capital de giro
Comercial Taxa de conversão propostas fechadas ÷ propostas enviadas onde o funil perde e se o problema é preço, prazo ou qualificação
Comercial Ticket médio receita ÷ número de pedidos mix, combos e política de pedido mínimo
Comercial Margem por canal margem de contribuição de cada canal ÷ receita do canal em que canal investir, e que canal cresce faturamento destruindo margem
Operação Entrega no prazo e completa (OTIF) pedidos entregues no prazo e sem falta ÷ total de pedidos estoque, transportadora e promessa de prazo ao cliente
Obras e projetos Custo orçado x realizado (custo realizado menos custo orçado) ÷ custo orçado, por projeto se a margem vendida está sobrando, e onde o orçamento erra
Pessoas Rotatividade desligamentos do período ÷ número médio de pessoas onde a empresa perde conhecimento, e se salário ou gestão precisam mudar

Os indicadores financeiros, com mais fórmulas e um exemplo calculado, estão em indicadores financeiros.

Um exemplo na diretoria

Imagine uma distribuidora que vende por representantes, loja própria, e-commerce e marketplaces. Toda segunda-feira a diretoria olha o faturamento por canal, e o marketplace é o que mais cresce. A decisão natural é investir mais nele.

O número que falta na reunião é a margem por canal. Depois de comissão, frete subsidiado, devoluções e desconto, o canal que mais cresce pode ser o que menos sobra, e às vezes o que dá prejuízo. Faturamento por canal é métrica; margem por canal é o KPI que muda a decisão. O motivo de ele não estar no painel quase nunca é desinteresse: a regra de rateio do frete e da comissão vive numa planilha, calculada de um jeito diferente por cada área.

Resolver isso é tirar a regra da planilha e transformá-la em sistema, integrado ao ERP que já existe, para que o número seja o mesmo em todas as reuniões. É o trabalho da frente de Dados e decisão da Northern, operações e tecnologia sob medida: decida com números em que você confia.

Os quatro testes

  1. Alguém age quando ele muda? Se a resposta é não, corte. É o teste que elimina a maior parte dos candidatos.
  2. A fórmula está escrita e é a mesma para todos? Duas áreas com contas diferentes para a mesma palavra é o motivo mais comum de painel desacreditado.
  3. Chega em tempo de decidir? Indicador que fica pronto no dia dez não serve para a decisão do dia dois.
  4. Pode piorar? Número que só sobe nunca reprova nada e por isso não informa. Total acumulado é o exemplo clássico.

Um quinto teste, útil em empresa com metas: o indicador é influenciável por quem responde por ele? Cobrar alguém por um número que ele não move produz relatório defensivo, e não gestão.

Resultado e antecedente

Todo conjunto saudável de KPIs equilibra dois tipos:

  • De resultado, como receita, margem e cancelamento. São confiáveis e chegam tarde: quando pioram, a causa aconteceu semanas antes.
  • Antecedentes, como propostas enviadas, taxa de resposta, tempo de primeiro atendimento e uso do produto na primeira semana. São menos precisos e permitem agir antes.

A regra prática que funciona: para cada indicador de resultado, ao menos um antecedente que ajude a explicar por que ele vai se mover. Painel só com resultado é retrovisor caro; painel só com antecedente perde a noção de se aquilo virou dinheiro.

Os KPIs que não servem

Métrica de vaidade O que usar no lugar
total de cadastros cadastros que voltaram na segunda semana
visitas no site visitas que chegaram ao passo de contato
número de reuniões propostas aceitas por reunião feita
seguidores pessoas que responderam a uma oferta
receita acumulada receita recorrente que se manteve no mês
horas trabalhadas entregas concluídas por período

A coluna da esquerda tem uma característica em comum: só cresce. Por isso nunca provoca decisão nenhuma, e é justamente por isso que ela é confortável de apresentar.

Quantos, e em que camada

A pergunta “quantos KPIs” só tem resposta por nível, e a estrutura que funciona tem três camadas:

  1. Camada estratégica, de 5 a 8 indicadores. O que a direção precisa ver toda semana, com status, tendência dos últimos trinta dias e desvio em relação à meta. Se não cabe em uma tela sem rolar, são muitos.
  2. Camada gerencial, com detalhamento por área e por produto, para quem responde pelo número da camada acima.
  3. Camada operacional, com dado bruto e granularidade fina, para quem executa e precisa investigar.

O erro de construção mais comum é montar de baixo para cima, a partir do que existe no banco, em vez de a partir das perguntas de quem decide. O caminho da planilha para esse formato está em da planilha ao dashboard, e as camadas que sustentam o dado por trás em business intelligence para empresas.

Como definir os seus

  1. Escreva o objetivo do trimestre em uma frase, com número e prazo.
  2. Pergunte o que precisaria ser verdade para esse objetivo acontecer. Cada resposta é candidata a KPI antecedente.
  3. Escolha no máximo três por objetivo, um de resultado e dois antecedentes.
  4. Escreva a fórmula, a fonte e o dono, em uma linha cada. Sem isso o indicador não sobrevive ao segundo mês.
  5. Defina a frequência de leitura e onde ela acontece, de preferência dentro de uma reunião que já existe.
  6. Revise no fim do trimestre, cortando o que não provocou nenhuma decisão.

A última etapa é a que quase ninguém faz, e é a que mantém o conjunto pequeno. Indicador entra com facilidade e nunca sai, e é assim que se chega ao painel de trinta gráficos.

Os erros mais comuns

  • Medir o que é fácil de medir, em vez do que decide.
  • Usar o KPI para cobrar pessoa, o que transforma indicador em instrumento de defesa e o dado em narrativa.
  • Comparar com média de mercado em vez de com o próprio histórico, que é a única comparação sempre válida.
  • Número sem comparação, porque valor absoluto sozinho não diz se está bom.
  • Meta definida depois de ver o resultado, que é a forma mais comum de nunca reprovar nada.
  • Deixar o indicador chegar tarde, o que é o mesmo que não tê-lo. A rotina de entrega está em relatórios gerenciais.

Para seguir: o painel onde esses indicadores vivem está em dashboard; os indicadores financeiros que costumam ser o melhor ponto de partida, em indicadores financeiros para PME; e quem responde por cada número, em governança de dados. As contas específicas de negócio recorrente em métricas SaaS. Vale a ressalva final: KPI não cria cultura de decisão, ele só a torna possível, e o resto é comportamento, tratado em cultura de dados. Quando o problema é a diretoria não confiar no número, o assunto é Dados e decisão. Quando a organização desse conjunto fica boa o suficiente para outras empresas quererem usar, vale product market fit.

Perguntas frequentes

O que significa KPI?

KPI é a sigla de Key Performance Indicator, que em português quer dizer indicador-chave de desempenho. É o número que mostra se a empresa, uma área ou um processo está chegando a um objetivo. A palavra que pesa é “chave”: entre as muitas métricas que uma empresa acompanha, KPI é o punhado ligado a um objetivo e a uma decisão. Se ninguém age quando ele muda, não é KPI.

Qual a definição de KPI?

KPI é uma métrica ligada a um objetivo, com fórmula escrita, um dono e uma ação associada. Sem objetivo, o número é só observação. Sem fórmula acordada, cada área calcula de um jeito e a reunião discute o número em vez de decidir com ele. Sem ação associada, ele ocupa espaço no painel sem mudar nada.

Qual a diferença entre KPI e métrica?

Métrica é qualquer coisa que dá para contar, e uma empresa tem centenas. KPI é a métrica escolhida porque está ligada a um objetivo e provoca uma decisão quando muda. Todo KPI é uma métrica, mas a maioria das métricas não é KPI. As métricas servem para investigar quando algo piora; os KPIs são o que a diretoria olha toda semana.

Quais são exemplos de KPI?

No financeiro, margem de contribuição e prazo médio de recebimento. No comercial, taxa de conversão, ticket médio e margem por canal. Na operação, entrega no prazo e completa, o OTIF. Em obras e projetos, custo orçado contra realizado. Em pessoas, rotatividade. Cada um vale pela decisão que apoia, e a meta depende do setor e do histórico da própria empresa.

Quantos KPIs uma empresa deve ter?

Depende da camada. Na camada estratégica, que a diretoria acompanha toda semana, de 5 a 8 indicadores costumam bastar: se não cabem numa tela sem rolar, são muitos. As camadas gerencial e operacional têm mais, porque detalham o número de cima por área, produto ou processo. O erro comum é acumular indicadores e nunca tirar nenhum.

KPI e OKR são a mesma coisa?

Não. OKR é uma metodologia de definição de metas: objetivos qualitativos acompanhados de resultados-chave mensuráveis, normalmente por trimestre. KPI é um indicador que se acompanha de forma contínua para saber se a operação está saudável. Os dois convivem bem: um resultado-chave de OKR muitas vezes é a melhora de um KPI. Mas um KPI continua existindo depois que o OKR do trimestre acaba.

Quem define os KPIs da empresa?

A diretoria define os da camada estratégica, a partir dos objetivos do negócio, e cada gestor desdobra os da sua área. Cada KPI precisa de um dono, alguém que responde por ele e que consegue influenciar o resultado. A fórmula e a fonte do dado devem ser acordadas entre as áreas, senão o mesmo indicador aparece com valores diferentes em reuniões diferentes. Esse acordo é o começo da governança de dados.

Com que frequência revisar os KPIs?

A leitura acompanha o ritmo da decisão: semanal na diretoria, diária ou semanal na operação, mensal no fechamento financeiro. Já o conjunto de KPIs deve ser revisto a cada trimestre, cortando os que não provocaram nenhuma decisão. Indicador entra com facilidade e quase nunca sai, e é assim que se chega a um painel de trinta gráficos que ninguém abre.

Como saber se um indicador é um bom KPI?

Quatro testes resolvem a maioria dos casos. Alguém age quando ele muda? A fórmula está escrita e é a mesma para todos? Ele chega a tempo de decidir? Ele pode piorar, ou só cresce? Indicador que falha em qualquer um desses testes é métrica, não KPI. Um quinto teste vale onde há metas: quem responde por ele consegue movê-lo?

Quais KPIs não servem?

As chamadas métricas de vaidade: total de cadastros, visitas no site, número de reuniões, seguidores, receita acumulada e horas trabalhadas. Elas têm em comum o fato de só crescerem, por isso nunca provocam decisão. A troca é por uma versão que pode piorar, como cadastros que voltaram, propostas aceitas por reunião ou receita recorrente que se manteve no mês.

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