Contratar quem vai escrever o software da sua empresa é uma decisão difícil por um motivo específico: quem contrata quase nunca consegue avaliar tecnicamente o candidato. A boa notícia é que os sinais que mais predizem resultado não são técnicos, e dá para conferir todos eles.
Este texto começa pela decisão anterior, entre contratar pessoa ou empresa, e depois mostra onde encontrar, como avaliar sem ser técnico, o teste que funciona, os modelos de contratação e por que o desenvolvedor bom vai embora.
Pessoa ou empresa
| Contratar pessoa | Contratar empresa | |
|---|---|---|
| Serve quando | o software é contínuo e central para o negócio | o projeto tem começo e fim, ou falta capacidade agora |
| Custo | menor por hora, com encargo e continuidade | maior por hora, sem vínculo nem ociosidade |
| Risco | depender de uma pessoa que pode sair | rotatividade interna do fornecedor e menos contexto do seu negócio |
| Quem decide o que fazer | a sua empresa, toda semana | a sua empresa, também, e é aqui que muitos projetos travam |
A regra prática: se ninguém na empresa tem tempo para decidir prioridade toda semana, contratar pessoa não resolve, porque a pessoa vai ficar esperando definição. Nesse caso é melhor um projeto com escopo fechado, e os critérios de escolha de fornecedor estão em empresa de programação: 7 critérios para contratar e em software house: o que faz e quando contratar.
Onde encontrar
- Indicação de quem já trabalhou com a pessoa. É a fonte com melhor taxa de acerto, e a pergunta certa é “você contrataria de novo?”.
- Comunidades técnicas e eventos locais, onde aparece quem estuda por conta.
- Repositórios públicos de código, úteis não pelo código em si e sim pelo histórico: constância e capacidade de explicar o que fez.
- Plataformas de vaga, que dão volume e exigem mais triagem.
- Freelancer com projeto pequeno pago, que é a forma mais barata de conhecer alguém antes de um compromisso longo.
Como avaliar sem ser técnico
Seis sinais que qualquer pessoa consegue observar, e que predizem resultado melhor que a lista de tecnologias no currículo:
- Explica o que fez de forma que você entende. Quem entende de verdade consegue explicar simples; quem se esconde atrás de jargão costuma estar escondendo alguma coisa.
- Pergunta sobre o negócio antes de falar de solução. Desenvolvedor que só pergunta requisito técnico vai construir exatamente o que foi pedido, inclusive quando o pedido está errado.
- Fala de um erro que cometeu, com o que aprendeu. Quem nunca errou nada em anos de trabalho está editando a história.
- Estima em faixa e explica a incerteza, em vez de cravar prazo na primeira conversa.
- Diz “não sei” quando não sabe, e explica como descobriria.
- Menciona manutenção e teste sem ser perguntado. É o sinal mais confiável de quem já sustentou software em produção.
O teste que funciona
Nem prova de algoritmo, nem projeto grande de graça. O formato que separa bem é uma tarefa pequena, real e paga, com quatro a oito horas de trabalho, sobre algo parecido com o que a pessoa vai fazer.
- Pague pela tarefa. Trabalho não remunerado afasta justamente quem tem opção, que é quem você quer.
- Dê um problema real, com dado fictício, e um enunciado incompleto de propósito. O que você observa é se a pessoa pergunta antes de supor.
- Peça para explicar as decisões, em texto curto ou em conversa. Aqui aparece quase tudo.
- Combine prazo folgado, porque você está avaliando qualidade de decisão, não velocidade sob pressão artificial.
- Mostre o resultado a alguém técnico de fora, se você não é. Uma hora de consultoria para essa leitura é o melhor dinheiro do processo.
Os modelos de contratação
- Vínculo empregatício. Continuidade e dedicação, com encargos e responsabilidade de gestão. Faz sentido quando o software é o produto ou o motor da operação.
- Prestador de serviço com contrato, comum no mercado brasileiro de tecnologia. Exige atenção para não configurar vínculo de fato, com horário e subordinação, o que gera passivo.
- Freelancer por projeto, bom para escopo fechado e ruim para demanda contínua sem alguém coordenando.
- Profissional alocado por empresa, em que você contrata capacidade e a empresa responde pela substituição. Custa mais e reduz o risco de dependência de uma pessoa.
Em qualquer um dos quatro, três cláusulas não são negociáveis: propriedade do código produzido, sigilo sobre o que a pessoa vê, e devolução de acesso na saída. Domínio, conta de nuvem e repositório ficam no nome da empresa desde o primeiro dia, com o profissional como convidado.
O que forma o preço
- Experiência com o problema, que vale mais que anos de carreira: alguém que já resolveu aquilo antes custa mais e sai mais barato.
- Autonomia. Profissional que precisa de acompanhamento constante custa o próprio salário mais o tempo de quem acompanha.
- Escassez da tecnologia, que encarece nichos e é um bom argumento para escolher tecnologia comum, com o panorama em linguagens de programação.
- Modelo de contratação, já que hora de fornecedor inclui risco e ociosidade que salário não inclui.
- Clareza do que você quer, que é a variável mais barata de melhorar e a que mais reduz custo total, como em como definir o escopo do primeiro produto digital.
A conta completa de um projeto, somando pessoas, ferramentas e manutenção, está em quanto custa desenvolver um produto digital.
Por que o bom vai embora
- Prioridade que muda toda semana, que é o motivo número um e não tem nada a ver com salário.
- Nunca terminar nada, com projetos abandonados na metade.
- Ser tratado como executor de pedido, sem participar da decisão do que construir.
- Dívida técnica que ninguém deixa pagar, com pressa constante e nenhum espaço para arrumar o que trava a entrega.
- Ausência de outra pessoa técnica para conversar, que é a queixa mais comum de quem é o único desenvolvedor da empresa.
- Salário defasado, que aparece só em quinto lugar, e ainda assim resolve pouco quando os quatro primeiros estão presentes.
Os erros comuns
- Contratar por lista de tecnologias, em vez de capacidade de resolver problema. Tecnologia se aprende; critério, não.
- Pedir um sênior pagando júnior, e concluir que o mercado está difícil.
- Contratar antes de ter escopo, deixando a pessoa esperando definição e sem entregar nada nos primeiros meses.
- Testar com prova de algoritmo que não se parece com o trabalho real.
- Um desenvolvedor só, sem plano de continuidade, o que transforma férias em interrupção e saída em crise.
- Achar que ferramenta de IA substitui contratação. Ela multiplica quem já sabe o que quer, e o que muda no processo do time está em IA para programar.
O resumo cabe em uma frase: contrate pela capacidade de fazer boas perguntas, teste com trabalho real e pago, e reserve alguém da empresa para decidir prioridade toda semana. Sem essa última parte, nenhuma contratação funciona, e a razão está em desenvolvimento de software.
Perguntas frequentes
É melhor contratar um desenvolvedor ou uma empresa?
Pessoa serve quando o software é contínuo e central para o negócio, com custo menor por hora e o risco de depender de alguém que pode sair. Empresa serve quando o projeto tem começo e fim, ou falta capacidade agora, custando mais por hora e sem vínculo. A regra prática: se ninguém na empresa tem tempo para decidir prioridade toda semana, contratar pessoa não resolve, porque ela vai ficar esperando definição.
Onde encontrar desenvolvedores web?
Indicação de quem já trabalhou com a pessoa é a fonte com melhor taxa de acerto, e a pergunta certa é se contrataria de novo. Comunidades técnicas e eventos locais mostram quem estuda por conta. Repositórios públicos servem menos pelo código e mais pelo histórico de constância. Plataformas de vaga dão volume com mais triagem. E um projeto pequeno pago é a forma mais barata de conhecer alguém antes de um compromisso longo.
Como avaliar um desenvolvedor sem ser técnico?
Por seis sinais observáveis: explica o que fez de forma que você entende; pergunta sobre o negócio antes de falar de solução; fala de um erro que cometeu e do que aprendeu; estima em faixa e explica a incerteza em vez de cravar prazo; diz não sei quando não sabe e explica como descobriria; e menciona manutenção e teste sem ser perguntado, que é o sinal mais confiável de quem já sustentou software em produção.
Que teste técnico aplicar na contratação?
Nem prova de algoritmo, nem projeto grande de graça. O formato que separa bem é uma tarefa pequena, real e paga, de quatro a oito horas, sobre algo parecido com o trabalho. Pague pela tarefa, porque trabalho não remunerado afasta quem tem opção. Dê um enunciado incompleto de propósito e observe se a pessoa pergunta antes de supor. Peça as decisões explicadas. E mostre o resultado a alguém técnico de fora, se você não é.
Quais são os modelos de contratação de desenvolvedor?
Vínculo empregatício, com continuidade e encargos, que faz sentido quando o software é o produto. Prestador de serviço com contrato, comum no mercado brasileiro, exigindo atenção para não configurar vínculo de fato com horário e subordinação. Freelancer por projeto, bom para escopo fechado. E profissional alocado por empresa, que custa mais e reduz o risco de dependência de uma pessoa.
Que cláusulas o contrato precisa ter?
Três não são negociáveis em nenhum dos modelos: propriedade do código produzido, sigilo sobre o que a pessoa vê, e devolução de acesso na saída. Além disso, domínio, conta de nuvem e repositório ficam no nome da empresa desde o primeiro dia, com o profissional como convidado. Não é desconfiança: é o que permite trocar de fornecedor ou lidar com uma saída sem virar crise.
O que forma o preço de um desenvolvedor?
Experiência com o problema, que vale mais que anos de carreira, porque quem já resolveu aquilo custa mais e sai mais barato. Autonomia, já que quem precisa de acompanhamento constante custa o próprio salário mais o tempo de quem acompanha. Escassez da tecnologia, o que favorece escolher tecnologia comum. Modelo de contratação. E clareza do que você quer, que é a variável mais barata de melhorar.
Por que desenvolvedores bons vão embora?
O motivo número um é prioridade que muda toda semana, e não tem relação com salário. Depois: nunca terminar nada, com projetos abandonados na metade; ser tratado como executor de pedido, sem participar da decisão; dívida técnica que ninguém deixa pagar; e ausência de outra pessoa técnica para conversar, queixa comum de quem é o único desenvolvedor. Salário defasado aparece em quinto lugar.
Quais os erros mais comuns ao contratar dev?
Contratar por lista de tecnologias em vez de capacidade de resolver problema, já que tecnologia se aprende e critério não. Pedir um sênior pagando júnior e concluir que o mercado está difícil. Contratar antes de ter escopo, deixando a pessoa esperando definição. Testar com prova de algoritmo que não se parece com o trabalho. Ter um desenvolvedor só, sem plano de continuidade. E achar que ferramenta de IA substitui contratação.
Ferramentas de IA reduzem a necessidade de contratar?
Elas multiplicam quem já sabe o que quer, o que aumenta o valor de entender o negócio e reduz o de digitar código. Na prática, um time pequeno com IA entrega mais que o mesmo time sem ela, e um time inexistente continua não entregando nada: alguém precisa decidir o que construir, revisar o que foi feito e responder pelo que vai para produção.