“Quanto custa um site?” tem a mesma dificuldade de “quanto custa um carro”: depende de qual carro. E a maior parte das propostas muito diferentes para o mesmo pedido não é desonestidade, é que o pedido admitia coisas muito diferentes.
Este texto mostra a escada de custo, do site institucional ao sistema sob medida, o que faz o preço variar, as linhas que não aparecem na proposta, o custo depois de entregar e como comparar orçamentos.
A escada de custo
As faixas abaixo são ordem de grandeza no mercado brasileiro, e variam com região, porte do fornecedor e ano. Elas servem para posicionar a conversa, e não para orçar:
| O que é | Faixa típica | Prazo |
|---|---|---|
| Site institucional em template | poucos milhares de reais | dias a duas semanas |
| Site sob medida, com design próprio | de alguns milhares a algumas dezenas de milhares | quatro a dez semanas |
| Loja virtual em plataforma | mensalidade da plataforma mais implantação de poucos milhares | duas a seis semanas |
| Aplicativo simples | dezenas de milhares | dois a quatro meses |
| Sistema sob medida | dezenas a centenas de milhares | três meses a mais de um ano |
Vale a observação que resolve muita frustração: os dois primeiros degraus quase nunca precisam de desenvolvimento sob medida. Site institucional em template bem escolhido entrega o que a maior parte das empresas precisa, e o dinheiro rende mais em quem traz visitante, como está em como extrair leads do Google.
O que faz o preço variar
- Clareza do escopo. A maior variável, e a única que você controla antes de pedir orçamento. Pedido vago tem risco embutido no preço, e o método de recorte está em escopo de projeto.
- Integração com o que já existe. Conversar com ERP, emissão fiscal ou logística própria muda a ordem de grandeza, e é a linha mais subestimada nas duas pontas.
- Quantidade de regra de exceção. A regra principal leva dias; as sete exceções que a empresa aplica levam semanas.
- Quem executa. Senioridade de quem faz, que é diferente da de quem vende.
- Responsabilidade assumida. Preço fechado custa mais que hora porque alguém está comprando o risco do prazo.
As linhas que não aparecem
- Conteúdo. Texto, foto e tradução. Site pronto sem conteúdo não vai ao ar, e essa linha atrasa mais projeto que qualquer decisão técnica.
- Hospedagem, domínio e certificado, pequenos e recorrentes.
- Ferramentas de terceiros: meio de pagamento, envio de e-mail, chat, integração. Cada uma com mensalidade própria.
- O seu tempo. Reuniões, aprovações, testes e envio de material. É trabalho real, e projeto trava aqui com frequência.
- Migração de conteúdo e de dado, quando existe algo antigo para trazer.
- Ajuste depois do lançamento, que sempre existe, porque o pedido muda quando a pessoa vê a tela.
O custo depois de entregar
A parte que surpreende quem contrata pela primeira vez: ao longo dos anos, manter custa mais que construir. Entram correção, atualização de dependência, mudança de regra do negócio, novo requisito legal e suporte a quem usa.
Por isso manutenção precisa estar precificada no mesmo documento da construção, com prazo de resposta por gravidade. Proposta que só cobre construção não é mais barata: é uma proposta que ainda não mostrou metade do custo. O detalhamento está em desenvolvimento de software.
Duas propostas, o mesmo pedido
Um caso que se repete: a empresa pede “um site com área de cliente” e recebe duas propostas com diferença de três vezes no preço. O que costuma explicar a diferença:
| Item | Proposta mais barata | Proposta mais cara |
|---|---|---|
| Área de cliente | login simples, sem perfis | perfis, permissões e recuperação de senha |
| Conteúdo | fornecido por você | redação e imagens incluídas |
| Integração | nenhuma | consulta ao sistema de gestão |
| Testes | manual, na véspera | automatizado no que é crítico |
| Manutenção | não incluída | três meses inclusos, com prazo de resposta |
| Propriedade | não mencionada | código e acessos no seu nome |
Nenhuma das duas está errada: elas respondem a pedidos diferentes que o mesmo enunciado permitia. É exatamente por isso que a lista de exclusões vale mais que o preço, e por que reduzir escopo economiza mais que negociar desconto.
Como comparar orçamentos
- Traduza tudo para o mesmo escopo. Se um inclui conteúdo e outro não, os números não são comparáveis.
- Peça a lista de exclusões. O que não está incluído explica a diferença melhor que o que está.
- Compare o custo do primeiro ano, somando construção, ferramentas e manutenção, e não o preço de entrega.
- Pergunte quem executa, pelo nome.
- Peça o maior risco do projeto. Quem descreve um risco concreto do seu contexto entendeu o problema; quem fala de alinhamento de expectativas ainda não.
- Confira a propriedade, de código, domínio, conta de hospedagem e acessos, que precisam ficar no nome da sua empresa.
Os critérios completos de avaliação de fornecedor estão em empresa de programação: 7 critérios para contratar e em software house.
Como reduzir de verdade
- Reduza escopo, não preço. Negociar 15% de desconto em um pedido vago economiza menos que cortar dois itens do pedido.
- Use pronto onde der. Site em template, loja em plataforma, gestão em ERP de mercado. Sob medida só onde o processo é seu diferencial, com os critérios em ERP para pequenas empresas.
- Entregue em partes, começando pelo fluxo que já resolve algo, com a lógica de o que é MVP.
- Resolva à mão o que der, deixando a automação para depois de haver volume.
- Prepare o conteúdo antes de contratar, porque isso encurta prazo e evita cobrança de espera.
- Reserve alguém para decidir, já que projeto parado esperando aprovação custa nos dois lados.
Sinais de orçamento ruim
- Preço fechado na primeira reunião, sem nenhuma pergunta sobre o seu processo.
- Sem lista de exclusões, o que garante discussão no meio do projeto.
- Manutenção não mencionada, ou tratada como assunto para depois.
- Muito abaixo dos outros sem explicação do que foi tirado. Quase sempre foi tirado teste, revisão ou responsabilidade.
- Propriedade não escrita, deixando código e acessos no nome do fornecedor.
- Prazo curto demais, que costuma ser argumento de venda e depois motivo de renegociação.
A conclusão prática é que o preço final depende mais de você que do fornecedor: escopo claro, conteúdo pronto e alguém disponível para decidir reduzem custo e prazo mais que qualquer negociação. Para produto próprio, a conta segue a mesma lógica com uma variável extra, que é a manutenção contínua tratada em negócio digital.
Perguntas frequentes
Quanto custa um site?
Depende de qual site. Um institucional em template fica na casa de poucos milhares de reais e sai em dias; um sob medida com design próprio vai de alguns milhares a algumas dezenas de milhares, em quatro a dez semanas. Essas faixas são ordem de grandeza no mercado brasileiro e variam com região, porte do fornecedor e ano, servindo para posicionar a conversa e não para orçar.
Quanto custa desenvolver um aplicativo?
Um aplicativo simples costuma ficar na casa das dezenas de milhares de reais, com prazo de dois a quatro meses. O que muda a ordem de grandeza é integração com sistemas existentes, quantidade de regra de exceção e se existe área logada com perfis e permissões. Aplicativo que precisa conversar com ERP ou logística própria salta de faixa.
Quanto custa um sistema sob medida?
De dezenas a centenas de milhares de reais, com prazo de três meses a mais de um ano. É a faixa mais ampla justamente porque depende de quantas exceções a operação tem e de quantos sistemas precisam conversar. Sob medida só se justifica quando o processo é específico da empresa, ninguém vende pronto e vale ter aquilo como ativo.
Por que duas propostas para o mesmo pedido variam tanto?
Porque o pedido admitia coisas diferentes. Na prática, a diferença aparece em itens específicos: se a área de cliente tem perfis e permissões ou só login; se o conteúdo é fornecido por você ou incluído; se existe integração com o sistema de gestão; se há teste automatizado; se manutenção está inclusa; e se a propriedade do código está escrita. Nenhuma proposta está errada.
O que faz o preço de um projeto digital variar?
Cinco variáveis: clareza do escopo, que é a maior e a única que você controla antes de pedir orçamento; integração com o que já existe, que é a mais subestimada; quantidade de regra de exceção, porque a regra principal leva dias e as exceções levam semanas; senioridade de quem executa, que é diferente da de quem vende; e responsabilidade assumida, já que preço fechado embute risco.
Que custos não aparecem na proposta?
Conteúdo, ou seja, texto, foto e tradução, que atrasa mais projeto que qualquer decisão técnica. Hospedagem, domínio e certificado. Ferramentas de terceiros, como pagamento, e-mail e chat, cada uma com mensalidade. O seu tempo em reuniões, aprovações e testes. Migração de conteúdo e de dado. E ajuste depois do lançamento, que sempre existe porque o pedido muda quando a pessoa vê a tela.
Quanto custa manter um site ou sistema?
Ao longo dos anos, manter custa mais que construir. Entram correção, atualização de dependência, mudança de regra do negócio, novo requisito legal e suporte a quem usa. Por isso manutenção precisa estar precificada no mesmo documento da construção, com prazo de resposta por gravidade: proposta que só cobre construção não é mais barata, é uma proposta que ainda não mostrou metade do custo.
Como comparar orçamentos de forma justa?
Traduza tudo para o mesmo escopo, porque se um inclui conteúdo e outro não os números não são comparáveis. Peça a lista de exclusões, que explica a diferença melhor que a lista de entregas. Compare o custo do primeiro ano somando construção, ferramentas e manutenção. Pergunte quem executa, pelo nome. Peça o maior risco do projeto. E confira a propriedade de código, domínio e acessos.
Como reduzir o custo de um projeto digital?
Reduza escopo, não preço: negociar 15% em um pedido vago economiza menos que cortar dois itens. Use pronto onde der, deixando sob medida só para o que é diferencial. Entregue em partes, começando pelo fluxo que já resolve algo. Resolva à mão o que der. Prepare o conteúdo antes de contratar. E reserve alguém para decidir, porque projeto parado esperando aprovação custa nos dois lados.
Quais sinais indicam um orçamento ruim?
Preço fechado na primeira reunião, sem nenhuma pergunta sobre o seu processo. Ausência de lista de exclusões. Manutenção não mencionada. Valor muito abaixo dos outros sem explicação do que foi tirado, e quase sempre foi tirado teste, revisão ou responsabilidade. Propriedade não escrita, deixando código e acessos no nome do fornecedor. E prazo curto demais, que depois vira renegociação.