# Medição de obra: o que é, como fazer, boletim e planilha

> O que é medição de obra, como montar o boletim do lado de quem fatura e o exemplo em que 55% medido já custou 62% do orçado.

**URL:** https://northern.com.br/medicao-de-obra/  
**Data:** 2026-10-26

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**Medição de obra** é o levantamento periódico do que foi executado num contrato, item por item, para transformar o avanço físico em valor a faturar. Para quem contrata, ela é o controle do que está pagando. Para quem executa, a instaladora ou a empresa de engenharia, ela é a porta do caixa: o que não foi medido não é faturado, e o que foi medido errado vira glosa, discussão e atraso no recebimento.

Este guia explica o que é medição de obra do lado de quem executa e fatura: os critérios de medição, como montar o boletim de medição, como tratar retenção, aditivos e glosas, e um exemplo do segundo mês de uma obra de climatização em que a medição mostra 55% executado enquanto o custo já consumiu 62% do orçado. É nessa comparação que a margem da obra aparece, ou some, meses antes do fechamento.

**Neste guia**

- [O que é medição de obra](#o-que-e)

- [Critérios de medição](#criterios)

- [Como fazer o boletim de medição](#boletim)

- [Boletim de medição: exemplo do mês 2](#exemplo)

- [Retenção, aditivos e glosas](#retencao)

- [Medição e margem: a comparação que quase ninguém faz](#margem)

- [Quando a planilha deixa de dar conta](#planilha)

- [Por onde seguir](#seguir)

## O que é medição de obra

A medição de obra é a apuração, em data combinada no contrato, de quanto de cada item do orçamento foi executado no período. O resultado é um documento, o boletim de medição, que o cliente ou a fiscalização aprova e que serve de base para a nota fiscal. Na maioria dos contratos de instalação, a medição é mensal.

Ela parte da planilha contratada. Cada linha do [orçamento de obra](/orcamento-de-obra/) vira uma linha do boletim, com a mesma unidade, a mesma quantidade e o mesmo preço. Por isso um orçamento bem quebrado facilita a medição: se a proposta tinha uma linha só para “instalação do sistema”, não há como medir 30% de instalação sem discussão. Se tinha linhas separadas para tubulação, isolamento, elétrica e equipamentos, cada uma é medida pelo que está pronto.

Três números saem de toda medição:

- **Medido no período.** O que foi executado desde a última medição, e que vai para a nota deste mês.

- **Acumulado.** A soma de todas as medições até agora, em quantidade, em valor e em percentual do contrato.

- **Saldo.** O que falta executar e faturar. É o número que diz quanto do contrato ainda vai entrar no caixa.

## Critérios de medição

O critério de medição precisa estar escrito no contrato, item por item. É ele que evita a conversa “isso está 80% pronto” contra “para mim está 50%”. Os mais usados em obras de instalação são três:

| Critério | Como mede | Onde funciona bem |
| --- | --- | --- |
| **Por quantidade executada** | Metros, unidades ou pontos instalados, multiplicados pelo preço unitário | Tubulação, cabeamento, dutos, pontos elétricos, isolamento |
| **Por etapa ou marco** | Um valor fixo liberado quando a etapa é concluída e aceita | Fornecimento de equipamentos, partida do sistema, comissionamento |
| **Por percentual** | O fiscal e o executor acordam o percentual concluído do item | Mobilização, administração local, itens difíceis de quantificar |

Para quem executa, o critério por quantidade é o mais seguro, porque é verificável. O percentual é o que mais gera glosa: sem uma régua objetiva, quem aprova tende a arredondar para baixo. Uma regra prática é quebrar os itens grandes em subitens mensuráveis já no orçamento. “Condensadoras” pode ser medido em três marcos: fornecimento no canteiro, instalação e interligação, e partida.

## Como fazer o boletim de medição

O boletim de medição é a tabela que o cliente aprova. Ele precisa ser lido em minutos por quem não acompanhou a obra todo dia. As colunas de um boletim completo são estas:

- **Item e descrição.** Os mesmos códigos e textos da planilha contratada.

- **Unidade e quantidade contratada.** Metro, unidade, verba, conjunto.

- **Preço unitário e valor contratado.** Do contrato, sem alteração, salvo aditivo aprovado.

- **Acumulado anterior.** O que já foi medido nos boletins anteriores.

- **Medido no período.** A quantidade ou o percentual deste mês.

- **Acumulado atual.** Anterior mais período, em quantidade, valor e percentual.

- **Saldo.** Contratado menos acumulado.

O passo a passo de cada mês é sempre o mesmo. Levante em campo o que foi executado, com foto e, quando der, com o fiscal junto. Lance as quantidades no boletim. Confira se nenhum item passou de 100% do contratado, porque o que passou é aditivo, não medição. Envie com a memória de cálculo, aprove, e só então emita a nota. Quanto mais cedo no mês a medição é aprovada, mais cedo o dinheiro entra.

## Boletim de medição: exemplo do mês 2

Uma instaladora de climatização executa um sistema VRF num escritório corporativo de 1.200 m², com prazo de 4 meses. O custo direto orçado foi de R$ 720 mil e, com BDI de 26,6%, o contrato fechou em **R$ 911,3 mil**. O contrato prevê retenção de 5% sobre cada medição. Este é o boletim do mês 2, com valores em R$ mil:

| Item | Contratado | Anterior | No mês | Acumulado | Valor no mês | Saldo |
| --- | --- | --- | --- | --- | --- | --- |
| Condensadoras VRF | 379,7 | 35% | 34% | 69% | 129,1 | 117,7 |
| Mão de obra de instalação | 197,5 | 11% | 29% | 40% | 57,3 | 118,5 |
| Evaporadoras | 151,9 | 10% | 25% | 35% | 38,0 | 98,7 |
| Elétrica e comando | 50,6 | 10% | 20% | 30% | 10,1 | 35,4 |
| Tubulação de cobre | 48,1 | 30% | 42% | 72% | 20,2 | 13,5 |
| Locação de equipamentos | 30,4 | 25% | 25% | 50% | 7,6 | 15,2 |
| Isolamento térmico | 27,8 | 20% | 40% | 60% | 11,1 | 11,1 |
| Mobilização | 25,3 | 100% | 0% | 100% | 0,0 | 0,0 |
| **Total** | **911,3** | **25%** | **30%** | **55%** | **273,4** | **410,1** |

O acumulado chega a **R$ 501,2 mil**, 55% do contrato. A medição do mês soma R$ 273,4 mil. Com a retenção de 5%, de R$ 13,7 mil, o valor a faturar no mês é de **R$ 259,7 mil**. O saldo de R$ 410,1 mil é o que ainda vai entrar nos meses 3 e 4.

## Retenção, aditivos e glosas

Três ajustes mudam o valor que de fato entra no caixa, e os três precisam aparecer no boletim, não numa conversa paralela:

- **Retenção contratual.** Um percentual de cada medição que o cliente segura como garantia, devolvido na entrega ou depois do prazo de garantia. No exemplo, até o mês 2 já estão retidos R$ 25,1 mil. Esse dinheiro foi gasto pela instaladora e só volta no fim: precisa entrar na conta do fluxo de caixa da obra.

- **Aditivos.** Todo serviço fora do escopo, como uma mudança de traçado pedida pelo cliente, entra como item novo, com preço aprovado antes de ser executado. Medir serviço extra dentro de um item contratado esconde o aditivo e consome o saldo daquele item.

- **Glosas.** O que o fiscal recusa ou reduz na medição. Cada glosa precisa de motivo escrito, para ser corrigida e medida de novo no mês seguinte. Glosa sem registro tende a virar perda.

Aditivo não cobrado é uma das formas mais comuns de a margem sumir numa obra de instalação. O serviço foi feito, o custo entrou, e o valor não aparece em nenhum boletim.

## Medição e margem: a comparação que quase ninguém faz

A medição diz quanto faturar. Sozinha, ela não diz se a obra está dando dinheiro. Para isso, ela precisa ser comparada com o custo apropriado no mesmo período, ou seja, tudo o que já foi gasto e lançado naquela obra.

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![Comparação no mês 2 da obra: 55% do contrato medido, R$ 501,2 mil, contra 62% do custo orçado já gasto, R$ 446,4 mil, um desvio de R$ 50,4 mil](https://northern.com.br/wp-content/uploads/2026/10/medicao-de-obra-01-medicao-x-custo.jpg)

No exemplo, a obra está 55% medida. Se o custo andasse no ritmo do orçamento, a instaladora teria gastado 55% dos R$ 720 mil, ou R$ 396 mil. Mas o custo apropriado no fim do mês 2 já é de R$ 446,4 mil, 62% do custo orçado**. São R$ 50,4 mil a mais do que o avanço físico justificaria.

| Indicador no mês 2 | Valor |
| --- | --- |
| **Avanço medido** | 55% do contrato |
| **Custo orçado do que foi medido** | R$ 396,0 mil |
| **Custo apropriado** | R$ 446,4 mil (62% do orçado) |
| **Desvio** | R$ 50,4 mil acima |

Esse desvio é o sinal. Ele aparece dois meses antes do fechamento, quando ainda dá para agir: renegociar o que é aditivo, rever a equipe, cobrar a liberação de frente do cliente. Nessa obra, o lucro planejado era de R$ 61,7 mil. Sem a comparação, a empresa só descobre no fim que ele virou um prejuízo de R$ 11,8 mil. De onde vem cada real desse desvio está em [custo de obra](/custo-de-obra/).

## Quando a planilha deixa de dar conta

Na maioria das instaladoras, a planilha de medição de obra é uma cópia da proposta, preenchida pelo engenheiro da obra, enquanto o custo mora no financeiro, em outra planilha ou no ERP. As duas nunca se encontram por obra. O boletim sai certo, a nota sai certa, e ninguém olha se os 55% medidos custaram 55% ou 62%.

O que a diretoria quer é abrir a obra no meio do caminho e ver, no mesmo lugar, quanto foi medido, quanto foi gasto e quanto da margem vendida ainda está lá. Isso acontece quando o boletim, as compras, as horas da equipe e as notas se ligam à mesma estrutura do orçamento, e a regra sai da planilha de cada engenheiro para um sistema. A passagem da planilha para um painel em que a diretoria confia está em [da planilha ao dashboard](/planilha-ao-dashboard-business-intelligence-pmes/).

## Por onde seguir

Para montar a planilha contratada que a medição vai usar, o guia de [orçamento de obra](/orcamento-de-obra/) e o modelo de [planilha de orçamento de obra](/planilha-de-orcamento-de-obra/). Para entender onde o custo passa do orçado, [custo de obra](/custo-de-obra/), e para saber quais itens acompanhar toda semana, a [curva ABC de obra](/curva-abc-de-obra/). E para medir a margem que cada obra deixa para pagar a estrutura da empresa, a [margem de contribuição](/margem-de-contribuicao/) e a [DRE gerencial](/dre-gerencial/). E para fechar, antes de orçar, a fronteira do que entra e do que não entra no contrato, o guia de [escopo de projeto](/definir-escopo-produto-digital/).

## Perguntas frequentes

### O que é medição de obra?

É o levantamento periódico do que foi executado num contrato, item por item, para transformar o avanço físico em valor a faturar. O resultado é o boletim de medição, aprovado pelo cliente ou pela fiscalização. Ele serve de base para a nota fiscal do período. Na maioria dos contratos de instalação, a medição é mensal.

### O que é boletim de medição de obra?

É o documento que registra a medição do período. Ele traz, para cada item da planilha contratada, a quantidade contratada, o acumulado anterior, o medido no período, o acumulado atual e o saldo. Também mostra os valores, a retenção e o total a faturar. É o que o cliente aprova antes da emissão da nota.

### Como fazer a medição de uma obra?

Levante em campo o que foi executado desde a última medição, de preferência com o fiscal e com fotos. Lance as quantidades no boletim, item por item, usando o critério definido no contrato. Confira se algum item passou de 100% do contratado, porque isso é aditivo e não medição. Envie com a memória de cálculo e emita a nota só depois da aprovação.

### Quais são os critérios de medição de obra?

Os mais usados são três. Por quantidade executada, em metros, unidades ou pontos, multiplicados pelo preço unitário. Por etapa ou marco, com um valor liberado quando a etapa é concluída e aceita. E por percentual, acordado entre o fiscal e o executor. O critério precisa estar escrito no contrato para cada item.

### O que deve ter numa planilha de medição de obra?

Item e descrição iguais aos da planilha contratada, unidade, quantidade e preço contratados, acumulado anterior, medido no período, acumulado atual e saldo. Ao final, o total medido, a retenção contratual e o valor a faturar. Uma memória de cálculo com fotos e quantidades ajuda a aprovar sem glosa. Aditivos aparecem como itens próprios.

### O que é retenção contratual na medição?

É um percentual de cada medição que o cliente segura como garantia de execução, normalmente devolvido na entrega da obra ou depois do prazo de garantia. O percentual é definido no contrato. Para quem executa, é dinheiro já gasto que só volta no fim. Por isso a retenção precisa entrar no fluxo de caixa da obra.

### O que é glosa na medição de obra?

Glosa é a recusa ou a redução, pelo fiscal, de um valor apresentado no boletim. Pode acontecer por serviço não concluído, fora da especificação ou sem comprovação. Cada glosa precisa de motivo registrado. Assim ela pode ser corrigida e medida de novo no mês seguinte, em vez de virar perda.

### Como tratar serviço extra na medição?

Serviço fora do escopo deve entrar como aditivo, com item novo e preço aprovado antes da execução. Medir o extra dentro de um item contratado esconde o aditivo e consome o saldo daquele item. No fim, falta saldo para medir o que estava previsto. Aditivo não cobrado é uma das formas mais comuns de a margem da obra sumir.

### Qual a diferença entre medição física e financeira?

A medição física mostra quanto do serviço foi executado, em quantidade ou percentual. A financeira transforma esse avanço em valor, pelos preços do contrato. As duas andam juntas no boletim. O que costuma faltar é a terceira comparação: o custo apropriado no mesmo período, que mostra se o avanço está custando o que foi orçado.

### Como a medição ajuda a controlar a margem da obra?

Comparando o avanço medido com o custo já gasto. Se a obra está 55% medida, o custo deveria estar perto de 55% do orçado. Se já consumiu 62%, a diferença mostra quanto da margem vendida está indo embora. Esse sinal aparece meses antes do fechamento, quando ainda dá para agir sobre aditivos, equipe e prazos.