# ESG em tecnologia

> Hoje vamos falar de ESG. Para começar com o pé direito, ano passado a Sony anunciou um fundo para aportar US$ 100 milhões em startups desenvolvedoras de tecnologias ambientais. A empresa Uber impôs meta de eletrificar 100% da sua frota nos EUA e Europa até 2030, e torná-la zero-emissão em 2040. Motoristas que dirigirem carro [&hellip;]

**URL:** https://northern.com.br/esg-em-tecnologia/  
**Data:** 2021-10-01

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Hoje vamos falar de ESG. Para começar com o pé direito, ano passado a Sony anunciou um fundo para aportar US$ 100 milhões em startups desenvolvedoras de tecnologias ambientais. A empresa Uber impôs meta de eletrificar 100% da sua frota nos EUA e Europa até 2030, e torná-la zero-emissão em 2040. [Motoristas que dirigirem carro elétrico ganharão US$ 1,5 de bônus por viagem](https://conteudos.xpi.com.br/internacional/relatorios/radar-global-tech-tambem-e-esg). E isso tem tudo a ver com ESG?
 
## *Mas de onde veio esse tal de ESG? O que é isso?*
 
A Organização das Nações Unidas possui diversos [programas ambientais](https://www.unepfi.org/) e iniciativas financeiras, e um dos seus lemas é: “*Working with Banks, Insurers, and Investors to create a Sustainable Finance Sector”.* A tradução seria algo do tipo: “Trabalhando com bancos, seguradoras, e investidores para criar um setor financeiro sustentável”. Em 2004 eles publicaram um trabalho muito interessante, intitulado “*Who Cares Wins – Connecting Financial Markets to a Changing World*”, que pode ser entendido como “Quem se importa vence – Conectando mercados financeiros com um mundo em transformação”. Acredita-se que foi [nesse trabalho](https://www.unepfi.org/fileadmin/events/2004/stocks/who_cares_wins_global_compact_2004.pdf) que, pela primeira vez, surgiu o termo ESG, pois, entre outras coisas, o material focava em registrar recomendações que a indústria financeira fornecia para melhor integrar questões ambientais (Environment), sociais (Social) e de governança corporativa (Governance) às análises, gerenciamento de ativos e negociação de títulos em geral.
 
Agora que sabemos a origem e o significado da sigla ESG (*Environmental, Social and Governance*), podemos dizer que ESG refere-se a 3 pontos essenciais para avaliar a sustentabilidade de uma empresa, que são os seus impactos ambientais, sociais e os de sua governança corporativa. Ou seja, ao falar de ESG, estamos falando de critérios que, ao serem seguidos, além de ajudar a sociedade como um todo, também podem abrir excelentes possibilidades de [novos investimentos ao seu negócio](https://relevant.software/blog/esg-investing).

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Geralmente, a sigla [ESG](https://blog.nubank.com.br/esg-o-que-e) está associada à forma como são mensuradas as práticas ambientais, sociais e de governança corporativa das empresas. Do ponto de vista ambiental, são estabelecidas métricas para ajudar a entender como as atividades de uma determinada corporação afetam o meio ambiente, como sua gestão impacta os recursos naturais, entre outros fatores. Do ponto de vista social, como os direitos humanos são tratados em relação aos trabalhadores, consumidores e públicos em geral. E, em relação à governança corporativa, se é uma boa gestão, com transparência, credibilidade, se é suscetível a coerção, corrupção, etc…
 
O [interesse pelo tema](https://canaltech.com.br/mercado/esg-o-que-e-e-por-que-as-big-techs-estao-de-olho-nisso-169431/) vem crescendo, assim como os recursos financeiros envolvidos. Note o aumento nos últimos 5 anos, de acordo com o [Google Trends](https://trends.google.com.br/trends/explore?date=all&q=%2Fm%2F0by114h)
 
Para contextualizar a questão dos investimentos, vamos mencionar um dos gigantes no setor. Em 2020, a maior empresa de gestão de ativos do mundo ([BlackRock](https://www.blackrock.com/br)) colocou a mudança climática na sua pauta principal, e o ESG [entrou definitivamente na agenda de Wall Street](https://news.mongabay.com/2021/04/behind-the-buzz-of-esg-investing-a-focus-on-tech-giants-and-no-regulation/). Só para constar, essa empresa possui mais de 7 trilhões de dólares americanos sob sua gestão. Você gostaria que 1% desse valor fosse colocado em sua empresa? Então leve a sério o ESG. Vou colocar outros exemplos mais próximos, de instituições financeiras em nosso país.Um investimento sempre é muito bem-vindo no seu negócio, não é? Independente do setor, o levantamento de recursos permite alavancar diversas áreas e, com as empresas de tecnologia isso não é diferente. Vamos tomar como exemplo uma startup, que muitas vezes busca apoio de investidores anjo, ou de outras fontes para impulsionar o seu crescimento. O apetite do investidor em apostar na sua companhia pode estar diretamente relacionado ao ESG.

De acordo com Maria Eugênia Buosi, presidente da consultoria de sustentabilidade Resultante, “Em 2020, 95% dos índices de sustentabilidade performaram melhor que os índices de bolsas que não adotam esses critérios.” A XP, além de fundos, anunciou em junho de 2020 que vai destinar [R$ 100 milhões para fomentar a indústria de produtos ESG](https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos/noticia/2021/03/07/conheca-os-fundos-de-investimentos-esg-ou-de-impacto-disponiveis-no-brasil.ghtml), incentivando as assets. Outras empresas, como a [Warren](https://warren.com.br/sobre-a-warren/), também estão em processo para incluir fundos temáticos como ESG. Entre outros, ela já tem um com foco em empresas com boas políticas de equidade de gênero. O banco BTG também se interessa por [produtos ESG](https://www.btgpactualdigital.com/como-investir/artigos/investimentos/fundos-esg), poderíamos citar outros exemplos, mas acho que já ficou claro que existem muitos investidores por aí interessados em empresas que levam a sério esses assuntos.
 
*Quantificação das variáveis associadas ao ESG é essencial*
 
Podemos elencar algumas potenciais questões que sua empresa deve se preocupar dentro desse contexto: Como é a sua governança? Os seus funcionários são tratados de forma adequada? Além de respeitar as leis trabalhistas, a diversidade entre os colaboradores é considerada? E os clientes, existe uma comunicação efetiva e adequada? Na cidade que vocês estão instalados, existe alguma iniciativa com a comunidade local? Sua empresa polui o meio ambiente? Tudo bem, sua empresa não polui em nada o meio ambiente, mas o que ela faz para ajudar a diminuir a poluição?
 
Para responder a essas perguntas, precisamos estabelecer critérios para medir os impactos desses setores. É essencial quantificar essas variáveis através de métricas adequadas, no intuito de poder comparar as atuações de diferentes empresas, para, posteriormente, incentivar os players que atuam de forma mais assertiva.
 
A preocupação com a quantificação é tamanha, que a Bloomberg disponibiliza mais de 10 anos de dados históricos de ESG, de mais de 11800 empresas, em mais de 100 países, organizados em 2000 campos. A empresa Refinity também disponibiliza [diversas análises](https://www.bloomberg.com/professional/solution/sustainable-finance/?gclid=EAIaIQobChMInJOn7euz8gIVjYCRCh2T0AgDEAAYBCAAEgIvzvD_BwE#scores/?utm_medium=Adwords&utm_campaign=ESG&utm_source=pdsrch&utm_content=esgscores&tactic=342352) relacionadas ao tema. Atualmente a universidade de Nova York possui programas nesse sentido, para qualificar executivos em sustentabilidade financeira e [investimentos em ESG](https://www.refinitiv.com/en/sustainable-finance/esg-scores).
 
No setor de tecnologia especificamente, diversos textos discutem como [mensurar os impactos](https://www.information-age.com/how-tech-sector-measuring-esg-impacts-123495422) ambientais, sociais e de governança, de forma viável. Entre outras coisas, existem algumas considerações de executivos da SAP sobre o tema. Em um mundo pós-covid, o tema ESG não pode ser ignorado na agenda das empresas.
 
Antigamente, muitos consideravam, erroneamente, que era um custo os recursos direcionados para as questões ambientais, sociais e de governança, e não um investimento. Ele não apenas se paga, como também gera frutos não só para a empresa, mas para todo o contexto socioeconômico-ambiental envolvido.
 
Vários estudos vêm sendo realizados nesse sentido, por isso podemos citar um relatório publicado pelo *Responsible and Sustainable Investment,* que apontou que os ativos apoiados em estratégias sustentáveis nos Estados Unidos já somam mais de US$ 17 trilhões. Em termos de comparação, o maior PIB brasileiro da história não chegou a US$ 3 trilhões. Assustadora essa comparação, não é?
 
## *Até o Homem de Ferro está de olho no ESG*
 
Para finalizar de forma descontraída, até o “Homem de ferro” está levando a sério o ESG. O ator Robert Downey Jr., que interpreta o super-herói no cinema, no início do ano de 2021, lançou em Davos um fundo e de acordo com [uma publicação da Forbes](https://forbes.com.br/forbes-money/2021/01/astro-de-hollywood-robert-downey-jr-lanca-fundos-e-quer-ser-o-novo-tubarao-esg/), tem a intenção de “ser o novo tubarão ESG”.[16] Se até o *Iron Man* está nessa, é melhor ficar de olho. Bons negócios!